sábado, 30 de agosto de 2008

COMPRA DE VOTO É BOM DEMAIS

Preste atenção minha gente
Nesse ano de eleição
Cuidado com a compra de voto
Dos partidos que ai estão
Nunca votem por dinheiro
Sem antes pensar primeiro
E consultar seu coração

Quando um candidato
Lhe dar dinheiro pra votar
Ele está duvidando
Da sua capacidade de raciocinar
Então é nesse momento
Que lhe chama de jumento
Tentando lhe enganar

Mas quero dizer aos candidatos
Que ninguém aqui é jegue
O eleitorado está mudando
Ele vota em quem segue
Não é por material
Nenhuma coisa assim igual
Faz com que ele se entregue

Os políticos se acostumaram
A comprar voto por dentadura
Tijolo, cimento, telha
Dinheiro até para a verdura
E esperam no dia da votação
A sua garantida eleição
Com ampla e digna bravura

Pois vou contar uma historia
Pra vocês darem risada
Recebi visita dum candidato
Ainda semana passada
Que veio comprar meu voto
Disse: bota fé? Eu digo boto
E depois dei gargalhada

Ele chegou lá em casa
Perguntou o que eu precisava
Eu disse a ele é só uma coisinha
E ele apenas me olhava
É que eu to querendo
Mas ainda não to podendo
E ele disse que me ajudava

Quero terminar minha casinha
Pra ficar mais espaçosa
A família está crescendo
Ficando mais vantajosa
Então preciso dum cimento
Pois comprar num agüento
Para casa ficar mais jeitosa

E o candidato disse:
Num precisa se preocupar
Você me prometendo o voto
Ainda hoje venho deixar
E num é que o danado
Ficou todo animado
Na esperança de ganhar

Maria minha mulher
Tava em pé assim do lado
O candidato olhou pra ela
Perguntou muito ouriçado
E a senhora precisa de que?
Diga que eu quero saber
Pra lhe fazer um agrado

Maria ia dizer
Que de nada precisaria
E eu pisquei o olho pra ela
Pra aproveitar aquela orgia
E então ela falou
E preciso seu doutor
Pra eu ter mais alegria

É que a feira tá acabando
E meu marido desempregado
Então eu queria um dinheirinho
Pra comprar lá no mercado
Uma carne, um feijão
Um arroz, um requeijão
Verduras e um picado

E o doutor com muita coragem
Enfiou a mão no bolso
E tirou cinqüenta conto
Sem fazer muito esforço
Entregou para a mulher
Disse “dar pra o que quer?”
E cometeu esse destorço

Ao menino menorzinho
Que chegava no momento
Perguntou com a voz mansa
Sem nenhum constrangimento
Esse menino é seu
Eu respondi, ele entendeu
E demonstrou seu sentimento

— ao menino eu darei
uma roupa pra vestir
que assim mais animado
o bichinho irá se sentir
e assim fez o danado
cumprindo com o combinado
com tudo que disse ali

E assim foi passando
Candidato um por um
Eu pedia sempre uma coisa
A mulher pedia mais algum
E o menino meu
Com tudo que recebeu
Ficou mesmo o olodum

Todo enfeitado de roupa
Pra tudo quanto é ocasião
Eu tava aos pinotes
Muito feliz de coração
E a mulher muito animada
Não saÍa da calçada
Esperando negociação

Dizia assim: não feche a porta
Por causa das visitas minhas
Quero lucrar tudo
Um dinheiro, umas roupinhas
Mas no dia de votar
Eu sei quem vai ganhar
A confiança minha

E quando os cabra chegava
Era sempre a mesma conversa
Era o choro da mulher
Do político vinha as promessa
E era nós se ajeitando
Tava quase enriquando
Pois era dinheiro à beça

E no dia da eleição
Eu e Luzia nos combinamos
Em votar em quem queria
Sem pensar no que ganhamos
E assim os candidatos
Que cometeram tantos atos
Em nenhum deles votamos

Se algum deles ganharam
Não foi por voto meu
De luzia também não foi
Pois ela me prometeu
Votar num político honesto
Ela disse e eu atesto
No que ela cometeu

Mas a maioria perderam
O dinheiro e a eleição
Isso é pra aprender
Não cometer corrupção
O povo ficando esperto
E votando então mais certo
Faremos melhor seleção

Se eles ficaram devendo
A culpa não é minha
De cada loja uma cobrança
Chega então a cada dia
E eu to aprumado
E já estou cansado
De remodelar minha casinha

A mulher abriu inté uma conta
No banco aqui da cidade
De chapa de dente tem três
É só felicidade
E o menino então
Feliz do coração
Vejam só a novidade

De roupa ele tem
Uma pra cada ocasião
De Natal a ano-novo
Até primeira comunhão
Assim ele está garantido
Por quatro anos previnido
Pra esperar outra eleição

Porque comigo é assim
Pois eu sou um brasileiro
Que político que compra voto
Que engana o povo com dinheiro
Eu recebo então a grana
E ele pensa que me engana
Mas eu lasco ele primeiro

3 comentários:

Shirlaynn disse...

hum adorei esse aí!!! seria bom se todos os eleitores fizessem exatamente isso!!!!

parabéns!!!

Photo Mix disse...

Gostei muito da sua historia... Ela nos prende e o final(a última estrofe) fecha com chave de ouro.
Parabéns França por sua criatividade e talento.

Josenilda disse...

oi primo adorei....c tem um dom maravilhoso......parabens bjos